Dente do siso pode causar problemas mesmo sem dor;
Você já ouviu alguém dizer: “meu dentista falou que tenho que tirar o siso, mas ele nem dói”? Essa é uma das dúvidas mais comuns nos consultórios odontológicos. Os chamados “dentes do siso” ou terceiros molares, frequentemente geram insegurança: será mesmo necessário removê-los, mesmo sem sintomas?
Vamos entender um pouco melhor o que a ciência atual diz sobre isso.
O que acontece com o siso
Os sisos são os últimos dentes a nascer, geralmente entre os 17 e 25 anos. No entanto, com a evolução da espécie humana, incluindo mudanças na alimentação e no desenvolvimento dos ossos da face , tornou-se cada vez mais comum que não haja espaço suficiente para a erupção adequada desses dentes.
Quando isso acontece, esses dentes não erupcionam de forma adequada e tornam-se inclusos ou impactados nos ossos dos maxilares
Estes dentes podem permanecer totalmente dentro do osso ou ficar parcialmente coberto pela gengiva. E é exatamente aí que começam os potenciais problemas!
Ausência de dor não é ausência de doença
Mesmo sem dor, esses dentes podem estar associados a uma série de complicações. Estudos clássicos, como os publicados no Journal of Oral and Maxillofacial Surgery, mostram que terceiros molares inclusos aumentam o risco de inflamação gengival (pericoronarite), cáries no próprio siso ou no dente vizinho, doença periodontal e até formação de cistos e tumores odontogênicos.
Um ponto importante: a ausência de dor não significa ausência de doença.
Pesquisas conduzidas por Gregory J. Huang, por exemplo, demonstram que muitos pacientes com sisos aparentemente “assintomáticos” já apresentam sinais iniciais de doença periodontal ao redor desses dentes, detectáveis apenas por exames clínicos e radiográficos. Ou seja, o problema pode estar evoluindo de forma silenciosa.
Por outro lado, nem todos os casos exigem cirurgia imediata. Existe, sim, um debate na literatura científica sobre a remoção preventiva de sisos inclusos. Os estudos de revisões sistemáticas, como as da Cochrane Collaboration, indicam que ainda há limitações nas evidências para recomendar a extração de todos os terceiros molares assintomáticos.
Então, como decidir?
A resposta está na avaliação individualizada.
Fatores como posição do dente, idade do paciente, presença de inflamação, dificuldade de higienização e risco de dano ao dente vizinho devem ser cuidadosamente analisados. Exames de imagem, como radiografias panorâmicas ou tomografias, ajudam a prever possíveis complicações futuras.
Outro aspecto relevante é o tempo. A ciência mostra que, quanto mais jovem o paciente, menos complicada é a cirurgia e mais rápida a recuperação. Após os 30 anos, há maior chance de complicações, como dificuldade de cicatrização e proximidade das raízes destes dentes, nesta fase completamente desenvolvidas, estarem em íntimo contato com estruturas importantes, como o nervo alveolar inferior.
Isso levanta uma questão importante: esperar pode tornar a cirurgia mais complexa.
Estudos publicados por Louis K. Rafferty indicam que a remoção de terceiros molares em pacientes jovens está associada a menor taxa de complicações pós-operatórias quando comparada a pacientes mais velhos. Portanto, em alguns casos, a remoção preventiva pode ser considerada uma estratégia para evitar problemas futuros mais difíceis de tratar.
Nem todo mundo precisa tirar o siso
Outro mito comum é que “todo mundo precisa tirar o siso”. Isso não é verdade.
Há pessoas que possuem espaço suficiente para a erupção normal dos terceiros molares e conseguem higienizá-los adequadamente, sem qualquer prejuízo à saúde bucal. Nesses casos, a manutenção do dente pode ser perfeitamente segura.
O mais importante é compreender que a decisão não deve ser baseada apenas na presença ou ausência de sintomas, mas sim em uma análise criteriosa do risco-benefício.
Hoje, a odontologia moderna caminha para uma abordagem mais personalizada, baseada em evidências científicas e nas características individuais de cada paciente.
Se você tem dúvida sobre seus dentes do siso, o melhor caminho é procurar um cirurgião-dentista ou especialista em cirurgia bucomaxilofacial. Somente uma avaliação completa poderá indicar a melhor conduta para o seu caso.
Cuidar da saúde bucal é também cuidar da sua saúde geral. E, quando o assunto é siso incluso, informação de qualidade faz toda a diferença para uma decisão segura e consciente.
