A colheita virá menor, os preços estão mais baixos e, por tudo isso, a visão estratégica será mandatória
Café na peneira: colheita já começou no Espírito Santo
A safra do café começou, simbolicamente, na última quinta-feira, 14 de maio. Na visão dos corretores de café do Espírito Santo, responsáveis por boa parte da comercialização do produto, trata-se de um ano estratégico para a mais relevante cultura do agronegócio capixaba. A colheita virá menor, os preços estão mais baixos e, por tudo isso, a visão estratégica será mandatória.
“O Espírito Santo entra em uma safra menor do que a do ano passado, mas ainda muito positiva. O produtor segue capitalizado, há estoque armazenado nas propriedades e os preços continuam em patamares interessantes. Isso mantém o agro aquecido e garante circulação de dinheiro na economia capixaba”, analisa o presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Espírito Santo, Marcus Magalhães.
Ele destaca que o Estado atravessa um momento de acomodação natural depois de um ano fora da curva, mas sem perder a força econômica construída nos últimos ciclos. Estoques armazenados nas propriedades, preços que continuam sustentando boa rentabilidade e a consolidação do conilon capixaba no mercado nacional e internacional ajudam a manter o café capixaba muito bem posicionado. “O grande salto do conilon foi a qualidade. O mercado passou a enxergar o produto não apenas pelo preço, mas pela capacidade de entregar um café competitivo e de qualidade. Isso abriu portas importantes para o Espírito Santo no Brasil e no exterior”.
O cenário global merece atenção. Conflitos geopolíticos, alta do petróleo e encarecimento de fertilizantes seguem pressionando os custos de produção. Frete, diesel, adubação e custos de mão de obra devem pesar mais no bolso do produtor em 2026. “O setor saiu de um ambiente de euforia para um momento que exige mais cautela. Os custos aumentaram e o produtor vai precisar trabalhar com mais planejamento, acompanhar o mercado de perto e tomar decisões mais estratégicas”, destaca Magalhães.
Em resumo, a leitura é de que 2026 deve manter a cafeicultura capixaba rentável e economicamente relevante. A diferença é que, desta vez, o crescimento virá menos impulsionado pela explosão dos preços e mais pela capacidade do produtor de administrar custos, aproveitar oportunidades e entregar um café cada vez mais valorizado dentro e fora do país. A estratégia passa por aí.







