Os carros elétricos seguem ganhando as ruas, mas poderiam vender ainda mais se alguns problemas específicos fossem solucionados. Um deles é o tempo de carregamento do veículo — que, por mais rápido que seja, ainda é bem mais do que se leva para encher um tanque de gasolina.
A BYD, entretanto, diz ter resolvido o desafio: a marca chinesa anunciou o novo carregador mais rápido do mundo, com 1.500 kW (1,5 MW). A fins de comparação, é uma potência de carregamento 50 vezes maior do que a máxima aceita pelo Dolphin Mini GL.
De acordo com a montadora, o novo ‘ultracarregador’ — chamado de Flash — é capaz de, em apenas cinco minutos, encher a bateria o suficiente para mais 600 km de autonomia. Em nove minutos, afirma, são 901 km…
E ela não é a única: a Tesla prepara carregadores de 1.200 kW feitos para seu caminhão elétrico, o Semi. Segundo a imprensa americana, já até há unidades de 750 kW liberadas para testes públicos. A Mercedes-Benz é outra que diz estar perto do ‘clube dos 1.000 kW’, assim como a Geely, que promete, em breve, oferecer um gabinete com os mesmos 1.500 kW do Flash da BYD.
O desafio da energia
Um dos maiores problemas de carregadores tão potentes é o desequilíbrio que um carro na tomada provoca na rede enquanto é recarregado…
A BYD explica que, para seu novo produto, é necessário uma rede elétrica robusta. Mesmo assim, ela criou mecanismos que protegem a vizinhança de transtornos como sobrecarga do sistema e apagões em casos de picos.
Isso é feito a partir de baterias do próprio eletroposto, que armazenam energia a ser entregue em tais picos. É como se a estação carregasse seu próprio reservatório em ritmo mais moderado e depois despejasse muita potência em poucos minutos no veículo.
Os cabos dos conectores são tão pesados que a BYD construiu o carregador em forma de letra T, com mangueiras elevadas. Elas ainda ganharam um sistema de ‘gravidade zero’: polias suspensas que absorvem o peso dos cabos para melhor manuseio do condutor…
Não obstante a estrutura de recarga em si, é necessário que o veículo esteja preparado para tamanha potência de carregamento. Isso porque carregamentos muito rápidos podem causar sobreaquecimento das células, diminuindo sua vida-útil e aumentando bastante o risco de incêndios.
Para tanto, o lançamento do carregador veio acompanhado da nova geração de baterias da BYD, a Blade 2.0. Ela promete armazenar energia para até 1.000 km de alcance e, além disso, suporta a recarga de 1.500 km. Esse feito é possível graças a um trabalho microscópico, que, ajudado por inteligência artificial, ‘redesenhou’ a estrutura molecular dos elementos das células de energia.
Com essa ‘caminho’ mais livre, diz a marca, os elétrons da recarga viajam mais fluidos, ‘esbarram’ menos e, assim, geram menos resistência (causadora do aquecimento). Caso ainda haja algum dano, as unidades de energia têm uma espécie de ‘reparo dinâmico’, que conserta o arranjo dos elementos.
A BYD afirma que, até o fim de 2026, instalará incríveis 20.000 pontos de carregamento Flash na China, com planos de levá-lo para o resto do mundo.
Ao mesmo tempo, a marca já anunciou carros com as novas baterias Blade 2.0 — que em breve chegam ao Brasil. Entre eles, há o novo Denza Z9 GT, o Yangwang U7 e o BYD Great Tang…
