MERCADO DO CAFÉ

Com preço em alta e oferta apertada, café não tem prazo para estabilizar.

O café, um dos principais produtos da pauta exportadora brasileira, enfrenta um cenário de preços elevados, estoques reduzidos e desafios climáticos. Com a demanda global aquecida e a produção sob pressão, especialistas projetam que a alta nos valores deve persistir no curto prazo.

Falta produto
O Brasil é hoje o maior produtor e exportador mundial de café, mas tem enfrentado quedas na produção devido a fatores climáticos adversos e ao ciclo natural de baixa produtividade – a partir do plantio, um pé de café leva 2,5 anos para dar frutos e só vai produzir plenamente após 5 anos.

“As mudanças climáticas afetaram a oferta não só no Brasil, mas também no Vietnã, outro grande produtor. Secas em 2023 e 2024 reduziram a produção global”, afirma o professor de economia Luciano Nakabashi, da USP (Universidade de São Paulo) de Ribeirão Preto.

Outro agravante foi o câmbio desfavorável (com o dólar acima de R$ 5,70), que encareceu os custos internos com insumos importados.

Em 2025, a safra sofreu uma redução estimada em mais de 4%, enquanto as exportações bateram recordes, limitando a disponibilidade interna.

Consumo em alta
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (ComexStat) mostram que em janeiro o Brasil teve o maior volume de café torrado, extratos, essências e concentrados da bebido exportados desde 2011, início da série histórica disponível. Foram US$ 126 mihões (equivalente a cerca de R$ 741,5 milhões) ou uma variação de 87,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A saca de café arábica chegou a R$ 2.300,00 no final do ano passado. Segundo, Daniel Mariga, assessor e líder de equipe das unidades de São Paulo e do ABC da Twitch Invest, empresa credenciada a XP Investimentos, é o maior valor da commodity em 28 anos..

“A falta do café em produto nacional e o aumento das exportações fizeram com que o preço do café moído chegasse a R$ 48,90 em dezembro de 2024. Um aumento de quase 40% em relação a janeiro de 2023”, aponta Mariga…

Especialista em precificação, Mariga afirma que essa variação pesou no bolso do consumidor no final no ano passado e que, neste ano, a demanda vai subir mais.

“Tivemos um aumento de 1,64% no consumo de café em 2024, o que significa mais de 21 milhões de sacas. A projeção para 2025 é chegarmos a 22,3 milhões de sacos, refletindo um aumento de 1 a 2%”, diz o assessor.

Importações ajudam, mas não resolvem
Para compensar a escassez, o Brasil aumentou as importações de café torrado. Os registros do governo federal mostram que, no primeiro bimestre de 2025, foram importadas 970,47 toneladas de café torrado, extratos, essências e concentrados da bebida.

O valor representa uma variação de 19,4% em relação ao ano passado. A Suíça lidera as origens (39%), seguida por França (21%) e EUA (10%). No entanto, essas compras são insuficientes para aliviar os preços nacionais.

Em março, o governo zerou alíquotas de importação para uma série de produtos que vão com frequência à mesa do brasileiro, entre eles o café. A medida teve como finalidade estimular a queda da inflação sobre os alimentos.

De acordo com Nakabashi, como o preço da commodity é determinado no mercado internacional, a medida federal sobre as tributações “tem pouco efeito interno.”

Rafael Bassetto, sócio fundador do Moka Clube, pondera ainda que a atual legislação brasileira não permite a importação de grãos verdes, apenas torrados, prontos para consumo final. “[Isso] limita a reposição de estoques. Além disso, os custos de frete, impostos e câmbio tornam a operação pouco viável”, afirma o empreendedor.

Especulação

Enquanto a oferta diminui, o consumo mundial cresce. A China, por exemplo, tem aumentado suas compras de café brasileiro. “A demanda global continua forte, e isso sustenta os preços altos”, afirma Nakabashi.

Mariga aponta também influência do mercado financeiro: *”Há especulação envolvida. Quando os preços sobem, investidores compram para lucrar com a tendência, pressionando ainda mais os valores”, diz o assessor financeiro.

Até quando?

Após as secas que afetaram a safra, a produção do café deve levar cerca de três anos para se recuperar, e os preços devem permanecer elevados por algum tempo. “A oferta só vai responder ao aumento de preço a médio prazo. Até lá, os consumidores sentirão o impacto”, afirma o docente da USP.

Para o setor de cafés especiais, a situação é ainda mais delicada. “Trabalhamos com lotes menores e preços mais altos para manter a qualidade. Mas o consumidor final acaba pagando mais”, lamenta Basseto

Uma mudança de cenário, com alívio nos preços, porém, só deve acontecer após a recuperação da produção e se houver um ajuste fiscal (com valorização do real).

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