Olhos secos, visão embaçada e dor de cabeça podem estar ligados ao uso excessivo de telas
Quanto tempo de tela faz mal aos olhos? Veja o que diz oftalmologista

Celulares, computadores e tablets fazem parte da rotina de trabalho, estudo e lazer de milhões de brasileiros. Mas, à medida que o tempo diante das telas aumenta, também crescem as queixas de olhos secos, visão embaçada, dor de cabeça e fadiga ocular. Afinal, existe um limite seguro de exposição?
No Dia Mundial da Saúde Ocular, celebrado neste 10 de julho, o Folha Vitória perguntou a um especialista como cuidar da saúde ocular quando o assunto são as telas. Confira!
Existe um tempo máximo seguro para usar telas?
Segundo o oftalmologista Cesar Ronaldo Filho, do Hospital de Olhos Vitória, não há um consenso científico sobre um tempo máximo de uso para adultos. O que já está bem estabelecido é que permanecer horas seguidas em frente às telas, sem pausas, aumenta significativamente o esforço dos olhos.
Para as crianças, porém, as recomendações são mais rígidas. A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que menores de 2 anos não tenham contato com telas. Entre 2 e 5 anos, o limite é de até uma hora por dia, enquanto, para crianças maiores e adolescentes, o uso deve ser controlado, priorizando atividades ao ar livre e períodos de descanso visual.
O que acontece com os olhos?
O especialista explica que o problema mais comum é a chamada síndrome da visão do computador, caracterizada por sintomas como ardência, sensação de peso nos olhos, ressecamento, dor de cabeça e visão embaçada temporária.
Na maioria das vezes, os sintomas desaparecem quando os hábitos são corrigidos. No entanto, o uso excessivo de telas também tem sido associado ao aumento da miopia, principalmente entre crianças e adolescentes.
Hoje sabemos que o excesso de atividades de perto, como o uso prolongado de telas, associado ao pouco tempo em ambientes externos, aumenta o risco de desenvolvimento e progressão da miopia.Cesar Ronaldo Filho, oftalmologista do Hospital de Olhos Vitória,
Piscar menos piora o ressecamento
Um dos motivos para o desconforto é que as pessoas piscam muito menos quando estão concentradas em uma tela.
Em condições normais, piscamos entre 15 e 20 vezes por minuto. Durante o uso de celulares e computadores, esse número pode cair para apenas cinco a sete piscadas por minuto.
Com menos piscadas, a lágrima evapora mais rapidamente, favorecendo o ressecamento dos olhos, a sensação de areia, irritação e visão embaçada.
Luz azul realmente faz mal?
Apesar da popularização dos óculos com filtro de luz azul, Cesar Ronaldo Filho afirma que, até o momento, não há evidências científicas de que a luz azul emitida pelas telas cause danos permanentes à retina nas condições normais de uso.
Também não existe comprovação consistente de que esse tipo de lente reduza a fadiga ocular. “O que realmente faz diferença é fazer pausas regulares, ajustar o brilho da tela, lembrar de piscar e tratar eventuais problemas de visão ou de olho seco”, destaca.
Já no período da noite, reduzir a exposição à luz azul pode ajudar a melhorar a qualidade do sono, já que ela interfere na produção de melatonina.
Quando procurar um oftalmologista?
Olhos vermelhos, ardência, lacrimejamento, dificuldade para focar, visão embaçada e dores de cabeça frequentes são sinais de que os olhos podem estar sofrendo com o excesso de telas.
Segundo o médico, a avaliação é indicada quando esses sintomas persistem mesmo após o descanso ou começam a atrapalhar a rotina de trabalho e estudos.
Como proteger a visão
Algumas medidas simples ajudam a reduzir o esforço visual durante o uso de telas:
- mantenha o monitor entre 50 e 70 centímetros dos olhos;
- posicione a tela ligeiramente abaixo da linha do olhar;
- ajuste o brilho e o contraste para níveis confortáveis;
- evite reflexos na tela;
- lembre-se de piscar conscientemente;
- faça pausas frequentes ao longo do dia.
Uma das estratégias mais recomendadas é a regra 20-20-20: a cada 20 minutos de uso, olhar por 20 segundos para um ponto localizado a cerca de seis metros de distância.
“Essa prática ajuda a relaxar a musculatura responsável pelo foco de perto e reduz o cansaço visual. Embora não previna doenças oculares, é uma forma simples e eficaz de diminuir a fadiga causada pelo uso prolongado das telas”, conclui o oftalmologista.










