Que o brasileiro é um povo criativo, isso não é novidade para ninguém. Tanto que, dizem, nossa criatividade deveria ser estudada por cientistas da Nasa, a famosa agência espacial dos Estados Unidos.
Esse é o caso de um Chevette que viralizou nas redes sociais ao trazer motor de moto e 30 marchas, sendo 5 rés e 25 que movem o veículo para frente.
Fagner, o dono do antigo Chevrolet e da oficina Fagner Motos Preparações, que fica em Camboriú (SC), explicou para que utiliza motor de CG Titan 150 e que o movimento é enviado para dois câmbios (um do Chevette e um da moto), que funcionam de forma simultânea.
Para cada uma das marchas do câmbio do Chevette (da ré à quinta), é possível utilizar cinco do câmbio da moto – o que totaliza 30.
Ainda segundo afirma o criador do Chevette inusitado, hoje o motor está com preparações de comando, cabeçote e aumento de cilindrada para 190 cm³. Com isso, ganhou um pouco mais de potência (importante para mover o peso de um carro) e chega aos 100 km/h (com as duas quintas marchas engatadas juntas). Mas, ainda assim, afirma que o consumo se mantém como ponto alto com aferição de até 36 km/l.
Fagner também conta que a motivação para criar um projeto tão inusitado foi puramente a necessidade, em uma época em que estava de mudança para uma cidade do interior. Para poupar seu outro carro de rodar em estrada de chão, passou a usar um Chevette que havia recebido sem motor como parte do pagamento por um serviço prestado a um cliente.
Como ele já possuía uma CG Titan, resolveu adaptar a mecânica da moto ao carro, para ter mais comodidade e espaço interno nos deslocamentos em vias sem pavimentação…
Questionado se faria uma modificação como essa caso um cliente interessado chegasse à oficina, afirmou que encara o desafio, mas alertou para a necessidade de realizar uma série de adaptações…
É possível regularizar um veículo como esses?
Quem tem carros modificados costumam estar cientes de todos os trâmites envolvidos na regularização desse tipo de veículo.
Em um caso de trocas de componentes, como motor e câmbio, o processo acaba ficando um pouco mais trabalhoso.
De acordo com Marco Fabrício Vieira, advogado especialista em trânsito, escritor e conselheiro do Cetran-SP (Conselho Estadual de Trânsito de São Paulo), todo veículo de uso próprio que for fabricado artesanalmente e de forma unilateral deve sempre atender aos preceitos de construção veicular. Para regularizar a respectiva domumentação e poder rodar legalmente em vias públicas, explica, seria necessário uma emissão do CAT (Certificado de Adequação à Legislação de Trânsito), com código específico de marca, modelo e versão.
O CAT é concedido pelo Senatran [Secretaria Nacional de Trânsito] para, assim, possibilitar o registro e o licenciamento junto aos órgãos estaduais. É previsto que o projeto técnico tenha a assinatura de um engenheiro responsável, que, por sua vez, precisa ter uma formação ou habilitação na área mecânica, conforme o conselho regional de engenharia e de agronomia, e também nos termos das resoluções do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia”, esclarece o especialista…
