CUTÍCULAS CUIDADO

Você costuma tirar a cutícula? Dermatologistas explicam os riscos da prática;

Especialistas dão dicas de como manter a boa aparência e a saúde das unhas;

Mais do que apenas uma pele descartável, a cutícula serve a um propósito bem definido. Muitos brasileiros, especialmente as mulheres, têm o costume de arrancá-la, semanalmente, a cada 15 dias ou mensalmente, por estética. Porém, esse hábito é desaconselhado, já que a cutícula age como uma camada extra de proteção das unhas contra agentes externos.

De acordo com a dermatologista Tatiana Gabbi, coordenadora do Departamento de Unhas da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), a cutícula pode ser descrita como uma barreira natural de proteção contra fungos, bactérias e outros microrganismos.

— Quando ela é retirada em excesso ou de maneira agressiva, que muitas vezes causa até sangramento, essa barreira de proteção se rompe — alerta.

Rosana Lazzarini, dermatologista membro da diretoria da SBD, explica que devido à falta de hidratação ou ao contato com o esmalte, ela pode se tornar uma massa branca e passar a impressão de unhas mal cuidadas. Por isso, é removida. O problema é que essa retirada excessiva aumenta o ressecamento e a fragilidade da região, fazendo com que a cutícula volte a aparecer esbranquiçada e seja novamente removida, criando um ciclo vicioso.

— Você deixa a região desprotegida. Fora o risco de acabar machucando, de inflamar ou até mesmo infeccionar. Às vezes o efeito da retirada da cutícula é tão intenso que deixa a unha irregular com defeitos por conta das infecções em volta — alerta Lazzarini.

No Brasil, é comum chegar ao salão de beleza para fazer as unhas e esperar que o serviço conte com a retirada das cutículas como etapa anterior à esmaltação. No entanto, nos Estados Unidos e em países da Europa, a limpeza das unhas não conta com a chamada cutilagem.

Apenas quando surgem peles ressecadas nas laterais da unha, especialmente quando são grossas e incomodam, é aconselhado que sejam retiradas, sempre de forma cuidadosa e com alicate esterilizado, como indica Gabbi.

Para a gaúcha Daniele Oliveira, 33 anos, parar de tirar a cutícula foi uma decisão positiva. Ela trabalhava como manicure até começar a produzir conteúdo para as redes sociais fazendo as próprias unhas. Em 2021, optou por cuidar dessa película protetora de forma diferente.

— Decidi parar [de tirar] porque eu passei a fazer minhas unhas com muita frequência. Eu gostava de cutículas “fundas”, então, às vezes, acabava até tirando demais e me machucando, o que causava mais dor ao esmaltar — conta. — Já havia tentado outras vezes antes, mas não consegui. Não é um processo fácil para quem está acostumado a tirar as cutículas, pois quando paramos de tirar elas demoram a voltar a uma aparência limpa e arrumada, e isso acaba criando uma frustração. Mas no fim vale a pena. Minhas unhas estão muito mais bonitas — relata.

Daniele conta que o primeiro passo foi optar por um amolecedor de cutículas ao invés do alicate.

— Deixo agir um minutinho e as empurro delicadamente. Esse processo de empurrar eu fazia umas 3x por semana, hoje como elas estão no lugar só faço uma vez. Em seguida passo o palito ou boleador para ver se não ficou alguma pele presa. Depois limpo bem para tirar o amolecedor de cutículas e passo a base de unhas, por último hidrato — explica ela.

Outro hábito que fez a diferença nas unhas de Daniele foi esfoliar as cutículas com sabonete líquido usando uma escova com cerdas macias.

— Esfoliação uma vez na semana ajuda muito a não levantar aquelas peles que ficam nos cantos — afirma.

Alternativas

Outro tipo de cutilagem que vem ganhando espaço no país, como aponta Tatiana Gabbi, é a manicure russa, que consiste em retirar as cutículas com brocas diamantadas e uma tesoura de remoção.

— O diferencial da manicure russa original é manter a maior parte da estrutura da cutícula. E o fato de ser seco, não utilizando água, permite uma precisão maior. As brocas possibilitam esfoliar e limpar a pele, fazendo com que ela se solte sem agredir a unha — explica a médica.

Além disso, faz parte do processo a aplicação de óleo hidrante após a limpeza, o que beneficia a hidratação das unhas. No entanto, ela aponta que na versão brasileira as manicures acabam retirando totalmente a cutícula, como já estão acostumadas.

— Isso não é interessante e nem saudável. O ideal é procurar a manicure russa original — orienta Gabbi.

Para quem busca garantir a saúde da unha, também é aconselhado evitar as aplicações de unhas de gel. Esse tipo de técnica necessita que as cutículas sejam retiradas para que o produto em gel não encoste em nada ao redor, porque isso pode causar o descolamento do gel ou a entrada de água e microrganismos. Assim, também haverá a necessidade constante de cutilar.

Esmaltes

Apesar da paixão das brasileiras por unhas sempre feitas, Rosana Lazzarini também explica que o uso fraquente de esmalte deve ser evitado, pois se trata de uma junção de componentes químicos que podem causar irregularidades e manchas nas unhas — especialmente por aquelas que preferem os esmaltes vermelhos.

— O que seria bom: se a pessoa vai a uma festa, faz a unha e deixa ali no máximo por uma semana — orienta a dermatologista.

De acordo com ela, a esmaltação semanal tende a desgastar a unha.

Manter o esmalte por tempo demais pode ressecar as unhas, causando manchas brancas e calcárias na superfície delas. Essas manchas, chamadas de granulações de queratina, são benignas e mais comumente encontradas nas unhas dos pés, que geralmente ficam pintadas por períodos mais longos do que as das mãos.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda “deixar as unhas sem esmalte uma semana por mês, no mínimo. Na impossibilidade dessa pausa sem esmalte, deixe pelo menos dois a três dias de intervalo entre as esmaltações”.

— É muito importante ter esses períodos em que as unhas estão sem esmalte, mas sempre mantendo-as hidratadas — ressalta Lazzarini.

Maneira certa de cuidar da cutícula e das unhas

  • Tanto nas mãos quanto nos pés, a hidratação é fundamental — das cutículas, da pele ao redor e da própria unha. Lazzarini recomenda hidratar com ceras de cutícula ou vaselina no período da noite;
  • Evite traumas, atente para que os instrumentos de manicure estejam bem esterilizados e não retire totalmente a cutícula;
  • No caso dos pés, é essencial secar bem entre os dedos e preferir meias e calçados que permitam ventilação, para evitar fungos;
  • As unhas dos pés devem ser cortadas no formato quadrado, para evitar que encravem;
  • O hábito de lixar a parte de cima da unha pode ser prejudicial, pois retira camadas de queratina e deixa as unhas mais frágeis e finas;
  • Evite utilizar acetona, pois causa ressecamento da unha. Optar por removedores de esmalte;
  • Evite contato com produtos de limpeza fortes. Se tiver o hábito de mexer muito com água e/ou produtos de limpeza, o uso de luvas é fundamental! O indicado é usar uma luva de algodão por baixo e de borracha por cima;
  • Mantenha uma alimentação equilibrada, rica em proteínas, vitaminas e minerais, com destaque para alimentos que contenham as vitaminas C, E, e complexo B, em especial a biotina (B7), e o zinco

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