Entenda como fica a situação das exportações brasileiras para os Estados Unidos com a retirada de produtos do agro da lista com taxação extra de 40%;
A decisão do governo dos Estados Unidos de retirar a tarifa de 40% imposta a mais de 200 produtos do agro brasileiro, anunciada na quinta-feira (20), trouxe alívio para alguns setores que têm o país comandado por Donald Trump como um dos principais destinos das suas mercadorias. Nesse grupo, estão produtores de café, carne bovina e gengibre, entre outros produtos exportados aos EUA.
A medida da Casa Branca foi publicada uma semana após o governo de Donald Trump suspender a taxa de reciprocidade de 10% sobre 200 mercadorias, impostas a diversos países. Nessa lista estavam também produtos do agro, como café e carne.
Mas as tarifas impostas pelos Estados Unidos ainda afetam grande parte dos produtos brasileiros, que seguem recebendo taxas de 40% a 50% para entrar no país norte-americano. São os casos do café solúvel e do pescado, que têm grande parte das exportações capixabas destinadas aos EUA. Entram na lista ainda o aço, o alumínio e as rochas naturais.
O que ainda é taxado
- Café solúvel
- Móveis
- Máquinas e equipamentos
- Calçados
- Têxteis e vestuário
- Aço
- Alumínio
- Pescado
- Mel
- Rochas naturais
O que foi liberado da taxação
- Café verde
- Café torrado
- Carne bovina
- Tomate
- Cogumelos, como shiitake
- Coco
- Castanha
- Castanha de caju
- Macadâmia
- Banana
- Abacaxi
- Goiaba
- Limão
- Mamão
- Manga
- Açaí
A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) diz lamentar profundamente que o produto brasileiro tenha sido mantido na lista de sujeitos à taxa adicional de 40%, que sobe para 50% quando somada aos 10% de tarifas recíprocas também aplicadas.
Segundo a entidade, os EUA sempre foram o mercado mais tradicional para o café solúvel do Brasil, uma parceria que remonta à década de 1960. Em 2024, o produto nacional correspondia a 38% das importações totais norte-americanas.
O setor afirma ainda que, desde a implementação das tarifas, em agosto deste ano, tem enfrentado impactos severos, incluindo uma queda abrupta de mais de 52% no volume dos embarques de café solúvel do Brasil para os Estados Unidos.
“A perda de competitividade é tamanha que, pela primeira vez na história, as estatísticas de outubro revelaram que os EUA deixaram de ser o primeiro destino do produto brasileiro, com a Rússia assumindo essa posição. O mercado americano, que gera aproximadamente US$ 200 milhões anuais e representa cerca de 20% do volume total das exportações brasileiras de solúvel, corre o risco iminente de substituir permanentemente o café brasileiro por produtos de outras origens”, aponta.
Para o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, a decisão do governo americano de remover a tarifa de 40% a 238 produtos agrícolas brasileiros é avanço concreto na renovação da agenda bilateral e condiz com papel do Brasil como grande parceiro comercial dos Estados Unidos.
“Vemos com grande otimismo a ampliação das exceções e acreditamos que a medida restaura parte do papel que o Brasil sempre teve como um dos grandes fornecedores do mercado americano”, afirmou Alban.
Já a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) avalia como muito positiva a decisão anunciada pelo governo dos Estados Unidos. A entidade afirma que a retirada da taxação de 40% representa um avanço importante rumo à normalização do comércio bilateral, com efeitos imediatos para a competitividade das empresas brasileiras envolvidas. Diz ainda que sinaliza um resultado concreto do diálogo em alto nível entre os dois países.
Ao mesmo tempo, a Amcham reforça a necessidade de intensificar esse diálogo entre Brasil e Estados Unidos para estender a eliminação dessas sobretaxas aos demais produtos ainda impactados — com destaque para bens industriais — e aprofundar a cooperação bilateral em temas de interesse mútuo.
