TRABALHO

Semana de 4 dias de trabalho tem aumento de produtividade e redução no estresse, mostram testes.

4 Day Week Brazil divulga dados do projeto-piloto da semana reduzida em teste em algumas empresas do país.

Após três meses de testes, a 4 Day Week Brazil, em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Boston College, conseguiu números que revelam ganhos tanto para as empresas quanto para os colaboradores.

Foi constatado que 61,5% das companhias que adotaram a semana com quatro dias de trabalho tiveram melhoria na execução de projetos, e em 58,5% obtiveram mais criatividade na realização das atividades. Foram notados ainda progressos na comunicação entre os setores, já que para 44% houve melhora na relação com os gestores.

Para os colaboradores das empresas que estão participando dos testes, as melhorias ultrapassam o ambiente corporativo:

  • 78,1% tiveram aumento na disposição para momentos de lazer com amigos ou em família;
  • 57,9% afirmam que conseguem conciliar melhor a vida pessoal e a profissional;
  • 50% reduziram os sintomas de insônia.

Como reflexo dos números acima, a vida profissional ganhou um status mais positivo, com 62,7% dos indivíduos relatando redução de estresse no trabalho e 64,9% não se sentindo desgastados no final do dia.

Outros 56,5% responderam que não estão frustrados como antigamente, e 28,6% dos participantes afirmaram que não mudariam de emprego para trabalhar cinco dias por semana por salário nenhum.

Vinte e uma empresas participam do projeto-piloto da semana de 4 dias no Brasil. Elas possuem sedes em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Campinas e Porto Alegre. Já os segmentos são saúde, jurídico, comunicação, tecnologia, alimentação e entretenimento.

Para Renata Rivetti, responsável por trazer essa atividade para o Brasil, a iniciativa destas empresas vai de encontro com a transformação do mundo corporativo em que estamos vivendo.

“Há muitas empresas que ainda se sentem desorientadas sobre o modelo de trabalho, se retornam ao presencial, se permanecem no híbrido, se a produtividade é resultado de mais horas trabalhadas, etc. Muitas ainda não sabem como conduzir os negócios neste novo cenário. Com o resultado desta pesquisa, acredito que terão um olhar mais focado no que realmente importa dentro do cenário corporativo”, explica.

Sobre o projeto

O projeto-piloto da semana de quatro dias começou no país em janeiro e vai até junho.

A iniciativa, inédita no Brasil, já foi testada e concluída em países como África do Sul, Nova Zelândia, Portugal e Reino Unido. Aqui o experimento é conduzido pela 4 Day Week Global, uma comunidade sem fins lucrativos que realiza projetos-piloto como esse em todo o mundo, e pela brasileira Reconnect Happiness at Work em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV) e o Boston College.

Participam, ao todo, 280 colaboradores com idades entre 18 e 50 anos. Dentro deste número, 38,1% são homens e 59,3% mulheres. Já os modelos de trabalho em que atuam são 40,2% presencial, 34,4% remoto e 25,4% em modelo híbrido.

Em relação ao dia de folga, mais da metade decidiu tirar às sextas-feiras (60,2%), e 22,1% optou pelas segundas. Outros escolheram por eliminar a quarta-feira ou estabelecer acordos que permitam que o colaborador escolha o dia de descanso.

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