O PSA é considerado um dos principais marcadores utilizados para avaliar a saúde da próstata;
O Antígeno Prostático Específico (PSA) é uma proteína produzida pela próstata, liberada no sêmen e também encontrada em pequenas quantidades no sangue. O médico urologista Guilherme Abib diz que o exame de PSA mede essa substância para auxiliar no rastreamento e diagnóstico de problemas na próstata, como hiperplasia benigna (aumento) e o câncer, embora um nível elevado não signifique automaticamente o tumor, sendo necessária avaliação médica para interpretar os resultados.
Ter o PSA alto costuma acender um sinal de alerta em exames de rotina, principalmente entre homens a partir da meia-idade. O médico diz que o PSA alto significa que a próstata está liberando mais dessa proteína no sangue, o que pode indicar problemas como inflamação, crescimento benigno (HPB) ou câncer de próstata, sendo um sinal de alerta para investigação médica.
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“Mas não é um diagnóstico definitivo de câncer, exigindo exames adicionais como toque retal e ressonância magnética para elucidação. A referência no valor do PSA depende de alguns fatores, principalmente a idade e a variação entre os resultados anuais”.
Os valores de referência de PSA
Os valores de referência de PSA variam de acordo com a idade, sendo os valores da Sociedade Brasileira de Urologia:
40-49 anos: até 2,5 ng/mL
50-59 anos: até 3,5 ng/mL
60-69 anos: até 4,5 ng/mL
70 anos ou mais: até 6.5 ng/mL
“Entretanto na prática clínica, o valor de 4 ng/mL é um limite comum, mas não absoluto, sendo que um valor acima disso requer avaliação, especialmente se houver toque retal alterado ou elevação rápida”, diz Guilherme Abib.
O urologista Carlos Chagas, da Rede Meridional, diz que o PSA é geralmente considerado alto quando ultrapassa os 4,0 ng/mL, que é o valor de referência padrão utilizado na maioria dos laboratórios. “No entanto, os médicos utilizam critérios mais refinados para determinar se um valor é preocupante, baseando-se na idade do paciente e no histórico clínico e nos exames anteriores”.
Ter o PSA alto significa que há um extravasamento aumentado dessa proteína para o sangue, o que indica que a próstata sofreu algum tipo de agressão ou estresse. “Embora gere preocupação, o PSA é um marcador de saúde da glândula, e não um teste exclusivo para câncer”, diz o médico.
Carlos Chagas ressalta que o PSA alto em si não causa sintomas, pois é apenas um marcador medido no sangue. “No entanto, a causa subjacente que elevou o PSA (como inflamação ou crescimento da próstata) costuma vir acompanhada de sinais de alerta. Os urologistas destacam que muitos homens com PSA elevado são assintomáticos, o que reforça a importância dos exames de rotina”.
As causas são divididas em três categorias principais:
1. Condições Médicas
Hiperplasia Prostática Benigna (HPB): o aumento natural da próstata com o envelhecimento. Mais tecido prostático produz mais PSA naturalmente.
Prostatite: inflamação da glândula, geralmente causada por infecções bacterianas. Pode elevar o PSA de forma brusca e temporária.
Infecção Urinária (ITU): a inflamação na uretra ou bexiga pode afetar a próstata por proximidade, elevando o marcador.
Retenção Urinária Aguda: a pressão causada pela incapacidade de urinar estressa a glândula.
Câncer de Próstata: células malignas produzem PSA em maior quantidade e rompem a arquitetura da glândula, elevando os níveis no sangue.
2. Estímulos Mecânicos e Atividades (Temporários)
Certas atividades podem “massagear” ou traumatizar a próstata, causando um aumento falso no exame se realizadas nos dias anteriores à coleta.
Ejaculação: recomenda-se abstinência de 48 a 72 horas antes do exame.
Atividades físicas específicas: andar de bicicleta, moto ou a cavalo (equitação).
Exames médicos: toque retal, colonoscopia, cistoscopia ou biópsia recente.
3. Outros Fatores
Idade: os níveis de referência sobem naturalmente conforme o homem envelhece.
Medicamentos: alguns remédios para calvície ou para a própria próstata (como a finasterida) podem mascarar o PSA, reduzindo-o pela metade e exigindo ajuste na interpretação médica.
Os riscos clínicos associados variam conforme o nível dessa elevação e a causa subjacente. “Do ponto de vista clínico, o PSA alto é monitorado não como uma doença, mas como um indicador de riscos significativos que exigem investigação para evitar complicações irreversíveis”, diz Carlos Chagas.
Ignorar o PSA elevado é considerado clinicamente perigoso, pois o exame é frequentemente o único alerta para doenças que se desenvolvem de forma silenciosa. “O maior risco é a perda da janela de cura. O câncer de próstata em estágio inicial raramente apresenta sintomas”, finaliza.
