As áreas bonificáveis foram definidas com base em análises espaciais. No Espírito Santo, são cerca de 800 mil hectares e 21 mil propriedades rurais com potencial
Produtor rural que proteger abelhas e insetos polinizadores receberá bônus no ESProdutor rural que proteger abelhas e insetos polinizadores receberá bônus no ESProdutor rural que proteger abelhas e insetos polinizadores receberá bônus no ESProdutor rural que proteger abelhas e insetos polinizadores receberá bônus no ES1.0x

Produtores rurais do Espírito Santo que preservarem áreas importantes para insetos polinizadores poderão receber uma bonificação extra no Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) de longo prazo. A medida passa a valer para propriedades localizadas em territórios considerados estratégicos para a conservação dessas espécies no Estado.
Na prática, o bônus será de 20% sobre o valor pago dentro do Programa Reflorestar para produtores que mantêm ou recuperam áreas ambientais prioritárias para a sobrevivência de insetos responsáveis pela polinização.
A iniciativa amplia os incentivos econômicos ligados à conservação ambiental e reforça a importância dos polinizadores para a produção agrícola. Espécies como abelhas nativas, borboletas, besouros, mariposas, moscas e até alguns tipos de vespas desempenham papel essencial na reprodução de plantas e no aumento da produtividade agrícola. Veja espécies:
Culturas como café, frutas e hortaliças estão entre as diretamente beneficiadas pela presença desses insetos. A polinização influencia tanto a quantidade quanto a qualidade da produção no campo.
Segundo o mapeamento utilizado pelo programa, o Espírito Santo possui mais de 800 mil hectares classificados como áreas prioritárias para conservação de insetos polinizadores. Cerca de 21 mil propriedades rurais podem ser elegíveis à bonificação.
As áreas estratégicas foram definidas a partir de análises espaciais que consideram ocorrência de espécies, risco de extinção e conectividade ambiental da paisagem. O levantamento tem como base o Plano de Ação Nacional para Conservação de Insetos Polinizadores (PANIP), coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Além do incentivo financeiro, os territórios prioritários também passam a integrar sistemas de monitoramento ambiental usados para fiscalização, acompanhamento de restauração florestal e combate a ilícitos ambientais.
Segundo o secretário de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Victor Ricciardi Rocha, a medida qualifica ainda mais a política ambiental capixaba. “Estamos avançando na valorização de serviços ambientais que sustentam não só a biodiversidade, mas também a economia. Ao incluir os polinizadores no PSA, o Estado reconhece, de forma concreta, o papel estratégico do produtor rural e a biodiversidade na manutenção desses serviços”, disse.
Especialistas apontam que a conservação de polinizadores é considerada fundamental para manter serviços ecossistêmicos das florestas, garantir segurança alimentar e aumentar a resiliência da produção agrícola diante das mudanças climáticas.
Para a assessora de Biodiversidade, Thaís Volpi, a medida corrige uma lacuna importante. “A gente já bonifica espécies ameaçadas prioritárias desde 2024 e agora demos um passo importante nos incentivos. Passamos a tratar a polinização como um serviço ecossistêmico essencial para as florestas, já que, sem polinizador, não tem restauração funcional nem produção agrícola resiliente. O PSA entra justamente para alinhar conservação e resiliência ambiental com produção agrícola e aumento da viabilidade econômica no campo”, afirmou.
Quais insetos polinizadores entram na lista?
Entre os principais insetos polinizadores encontrados nas áreas prioritárias do Espírito Santo estão:
• Mamangava (Bombus bahiensis)
• Abelha das orquídeas (Eufriesea brasilianorum)
• Abelha das orquídeas (Euglossa avicula)
• Abelha das orquídeas (Euglossa botocuda)
• Abelha das orquídeas (Euglossa marianae)
• Abelha das orquídeas (Exaerete salsai)
• Uruçu-capixaba (Melipona capixaba)
• Diabinha (Parelbella polyzona)
• Borboleta formigueira (Arawacus aethesa)
• Borboleta (Glennia pylotis)
• Borboleta (Heliconius nattereri)
• Borboleta (Hyalyris fiammetta)
• Borboleta asa-de-vidro (Mcclungia cymo fallens)
• Borboleta (Mellinaea mnasias thera)
• Borboleta (Tithorea harmonia caissara)
• Borboleta rabo-de-andorinha (Heraclides himeros himeros)
• Borboleta rabo-de-andorinha (Mimoides (Eurytides) lysithous sebastianus)
• Borboleta-da-restinga ou borboleta-da-praia (Parides ascanius)
• Borboleta (Charonias theano)
• Borboleta (Moschoneura pinthous methymna)
• Borboleta (Perrhybris pamela flava)
A imagem abaixo mostra os territórios estratégicos para conservação de insetos polinizadores e as áreas com potencial de bonificação no Estado.

De acordo com o coordenador do Programa Reflorestar, Gabriel Nunes dos Santos Júnior, a medida aumenta a eficiência do programa. “Estamos direcionando melhor os recursos públicos. Quando você estimula a restauração de áreas que concentram serviços ecossistêmicos estratégicos, como regiões prioritárias para a conservação e com alta diversidade de polinizadores, o ganho ambiental é maior e mais rápido”, finalizou.
