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Por que uma cidade segue sem médico, apesar de oferecer R$ 2,5 milhões/ano?

Uma cidade remota no interior da Austrália pagará um salário de até 680 mil dólares australianos (R$ 2,44 milhões, em cotação de hoje) por ano, aluguel gratuito e um carro para o novo médico que decidir fixar residência por lá e atender sua população.

Julia Creek, com cerca de apenas 500 habitantes, está prestes a perder seu único médico e, por isso, as autoridades decidiram pagar o dobro do que um médico de família ganharia na capital do estado de Queensland, Brisbane.

O que aconteceu
A prefeitura e o governo estadual têm dificuldades de conseguir serviços médicos para a população há anos. Depois de 15 anos sem um médico residente na cidade, esta vaga havia sido finalmente preenchida em 2022 pelo médico Adam Louws, que topou se mudar para o Outback – o interior rural do país – com a mulher e quatro filhos depois que a cidade anunciou que pagaria 500 mil dólares australianos anuais para quem preenchesse a vaga.

Sem um médico na cidade, moradores têm que se deslocar por cerca de 1h40, encarando 150 km de estrada para ser atendido em centros de saúde de Richmond, segundo a emissora australiana ABC. A espera pode ser fatal em casos de emergências, já que o hospital mais próximo estaria situado a três horas de distância, apontou ainda a agência Associated Press.

É justamente a distância de grandes centros urbanos que torna difícil para preencher a vaga, mesmo com o salário atraente. Julia Creek está localizada a 17h de carro de Brisbane e a sete horas de viagem da cidade grande mais próxima, Townsville. Além disso, quem vive lá deve se adaptar ao calor intenso e aos insetos tropicais da área.
Na época do recrutamento de Louws, a cidade recebeu apenas duas candidaturas nos primeiros quatro meses de buscas. Ambos não queriam se mudar e pediram um arranjo que os permitiria voar para a cidade periodicamente. Durante anos, os residentes só conseguiam se consultar duas vezes por semana com um médico e tinham que recorrer ao atendimento de enfermeiros e outros profissionais de saúde em urgências e emergências.

Louws, contudo, optou por não renovar seu contrato. Ele justificou à ABC australiana que os filhos estão crescendo e há questões de família para as quais precisa estar presente em Brisbane, onde vivem outros parentes. A saudade da família estendida também pesou na decisão.

Negócio da China?
Ganhar cerca de 56,6 mil dólares australianos mensais (cerca de R$ 200 mil) no “meio do nada”, onde o custo de vida é menor, é bastante atraente. No entanto, alguns analistas de saúde comentaram na mídia local, em 2022, que o pagamento não era o suficiente para compensar pelo volume de trabalho que o médico assumiria sozinho na cidade.

Louws, contudo, afirma que o trabalho solitário fez com que ele aprendesse habilidades médicas que não usaria em outra cidade. O motivo? Não era possível enviar o paciente para uma consulta com um colega na esquina seguinte. Ele ainda garantiu à AP que o salário é satisfatório.

O dinheiro é o bastante. É mesmo. Uma das coisas que eu acho que as pessoas não consideram necessariamente o suficiente a respeito deste trabalho é que há outras coisas que esta cidade têm a oferecer.
Adam Louws, médico que deixa Julia Creek.

O médico promete que a vida por lá é mais tranquila e há aspectos atraentes. Ele mesmo disse ter realizado o sonho de ordenhar vacas. A pequena cidade ainda recebe visitantes na alta temporada, que se hospedam em trailers em seu acampamento, chegando para acompanhar corridas de cavalos, rodeios ou até relaxar diante das lindas paisagens.

Não há escola para todos na cidade, por exemplo. Adolescentes estudam e moram em colégios internos nas cidades grandes ao seu redor, a horas de distância. Apesar disso, Louws diz que já conhecia nove de cada 10 pessoas na cidade, pelo nome, depois de seis meses de trabalho. “Todo mundo é mais próximo e você tem a chance de fazer realmente a diferença”, disse.


Eletricidade e banda larga de internet estão disponíveis na cidade. 
A prefeita do distrito de McKinlay Shire, que inclui Julia Creek, prometeu que a cidade não está totalmente fora do mapa. “Na verdade, temos um ótimo estilo de vida, muito seguro”, gabou-se Janene Fegan, à AP.

Ela ainda pede aos médicos que consideram a mudança que “deem uma chance” a Julia Creek. “Você não precisa ficar para sempre”.

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