COFRINHOS PARA GUARDAR

Pix e cofrinho para crianças: veja opções de bancos e cuidados com ferramentas

Contas em instituições bancárias são consideradas importantes na educação financeira de crianças e adolescentes; muitos já fazem investimentos pelas plataformas;

O mercado bancário brasileiro tem voltado sua atenção para um público cada vez mais jovem. O que no passado se limitava a uma caderneta de poupança ou conta corrente, hoje se transformou em ecossistemas digitais completos que visam não apenas oferecer serviços financeiros, mas promover a educação financeira infantil e a autonomia consciente.

Bancos e fintechs oferecem contas bancárias para o público infantojuvenil com funcionalidades que incluem do pagamento via pix ao cofrinho, sendo que os investimentos têm sido cada vez mais usados por crianças e adolescentes.

Nas contas para menores, também há opção de cartão de débito, receber mesada e fazer recarga de celular. E ainda fazer caixinhas com objetivos, como comprar um videogame. Em alguns casos, adolescentes têm acesso a cartão de crédito também.

Em boa parte das instituições financeiras, a titularidade é de fato do menor, mas a abertura da conta é feita a partir da conta do pai, mãe ou responsável. Os pais também podem ter controle sobre as operações realizadas pelos filhos. A conta para menores costuma ter isenção da mensalidade.

Para o economista Ricardo Paixão, presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), essas contas funcionam como um estímulo fundamental em uma sociedade que carece de contato com o uso racional do dinheiro.

O exercício de lidar com finanças desde cedo, afirma Paixão, ajuda a desenvolver noções de organização, planejamento e uso consciente, facilitando o entendimento sobre a importância de poupar e os riscos de parcelamentos que comprometem o orçamento.

Entretanto, o economista faz um alerta: o acesso precoce a meios de pagamento digitais pode incentivar o consumo impulsivo se não houver orientação adequada.

“Essa ferramenta tem que ser usada como elemento didático, de aprendizado para o adolescente, para a criança, não como uma ferramenta que vai incentivá-la a consumir cada vez mais”, adverte.

Paixão também destaca o risco de golpes digitais, especialmente quando o jovem ganha autonomia e acredita dominar a ferramenta, podendo gerar prejuízos para a família.

Essas contas podem ser muito positivas desde que esteja associada à supervisão familiar e a conversas frequentes sobre dinheiro, transformando o uso da conta em uma ferramenta educativa e não apenas um meio de gasto, de consumo

Ricardo PaixãoEconomista

Confira as opções oferecidas pelas instituições financeiras

  • Banco do Brasil (BB Cash): Focada em jovens de 0 a 17 anos, oferece conta 100% digital. Há funcionalidades como pix, cartão, investimentos, programação de mesada e o espaço “Meu Cash”, que auxilia os jovens a compreenderem melhor sua relação com o dinheiro. Jovens de 8 a 17 anos podem abrir a conta diretamente pelo App BB, enquanto, para crianças de 0 a 7 anos, o processo ocorre nas agências. O cartão BB Cash permite compras on-line e pode ser personalizado, além de contar com a funcionalidade de “cartão de débito como crédito”, que amplia a experiência de uso sem risco de endividamento. Um diferencial é a plataforma “Rolê que Rende BB”, que utiliza elementos lúdicos e até uma versão no Roblox para ensinar conceitos financeiros. 
  • C6 Bank (C6 Yellow): Disponível para crianças e jovens de 0 a 17 anos, a conta é vinculada ao responsável e permite que a criança invista em CDBs de liquidez diária, criando “objetivos” específicos, como a compra de um videogame. É possível também fazer transferências e pagamentos, pix, acompanhar seus gastos e compras com cartão de débito no extrato e fazer investimento.
  • PicPay: Pelo PicPay Família, os pais gerenciam contas de menores de qualquer idade, com funções como “Cofrinhos” para guardar dinheiro e personalização do app com skins. Também estão disponíveis serviços como pix, cartão de débito e recargas de celular e mobilidade.  Os pais podem controlar tudo pelo aplicativo, incluindo a definição de limites, notificações de transações em tempo real e a programação de mesadas automáticas.
  • Santander: Além de funções de reserva e poupança, o banco se destaca pelo pilar educativo fora do app, oferecendo cursos gratuitos de IA e idiomas pela plataforma Santander Open Academy e descontos em universidades parceiras. Podem abrir conta digital gratuita crianças de 0 a 17 anos. Oferece cartão de débito físico e virtual, além de pix, transferências e recarga de celular. Para crianças a partir de oito anos, há um aplicativo personalizado, com linguagem adaptada ao público jovem, e a possibilidade de solicitar um cartão de crédito adicional vinculado ao responsável. Os pais podem definir limites de uso, bloquear o aplicativo em caso de perda ou roubo, receber notificações instantâneas de todas as transações e acompanhar a conta dos filhos no mesmo aplicativo que já utilizam no dia a dia.
  • Banestes (Conta Jovem): Exige abertura presencial na agência e foca na transição de autonomia: até os 15 anos a movimentação é do responsável; aos 16 e 17, o jovem pode operar sozinho, se autorizado. Oferece o serviço “Rende+”, que rentabiliza o saldo em até 100% do CDI. Há previsão de isenção da mensalidade do pacote de serviços por um ano, desde que o titular não tenha usufruído desse benefício anteriormente. A conta oferece cartão de débito e aplicativo para movimentação de recursos para menores de até 15 anos. Para menores a partir de 16 anos, há ainda a possibilidade de concessão de cartão de crédito e limite de crédito pré-aprovado. 
  • Nubank: Oferece conta para crianças e adolescentes de 6 a 17 anos, sendo preciso que o pai ou mãe seja cliente da instituição financeira. O responsável pode visualizar as movimentações da caixinha e conta, bem como gastos e transferências. A conta inclui pix, cartão de débito, gift cards, recarga de celular e caixinhas para guardar dinheiro por objetivo. Jovens entre 16 e 17 anos podem ter acesso a cartão de crédito.

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