MELHOR PADEIRO DO MUNDO

Padeiro do ES é eleito o melhor do mundo com pão que imita panela de barro e torta capixaba; veja receita

João Carlos Butske, de Nova Venécia, que começou carreira como entregador, já foi eleito melhor padeiro das Américas e, agora, é o melhor do mundo.

Torta capixaba ganha nova versão dentro de pão que imita panela de barro no ES

O chef padeiro João Carlos Butske, de Nova Venécia, no Noroeste do Espírito Santo, foi eleito o melhor padeiro do mundo no UIBC World Baker of the Year 2026, principal reconhecimento internacional concedido a profissionais da panificação.

A receita campeã também carrega um pouco da cultura capixaba. A receita que deu ao profissional o título mundial foi um pão de fermentação natural que imita uma panela de barro com a tradicional torta capixaba comop recheio.

O resultado foi anunciado na segunda-feira (14), em Singapura, durante um evento promovido pela União Internacional de Padeiros e Confeiteiros (UIBC).

Com a conquista, João Carlos se tornou o segundo brasileiro a receber o prêmio internacional. Antes dele, apenas o paulista Rogério Shimura havia sido eleito, em 2019.

Padeiro capixaba João Carlos Butske é eleito melhor do mundo durante cerimôria em Singapura — Foto: Divulgação Sindipães ES

Padeiro capixaba João Carlos Butske é eleito melhor do mundo durante cerimôria em Singapura

Após o anúncio do prêmio, João Carlos comemorou a conquista nas redes sociais e agradeceu o apoio recebido.

“Melhor padeiro do ano! Obrigado a cada um que acompanhou, torceu e acreditou. Vocês fazem parte dessa conquista. Representar o Brasil e o Espírito Santo no maior palco da panificação mundial é algo que vou carregar para sempre no coração”, escreveu.

Essa não é a primeira premiação internacional de João. Em 2025, ele já havia sido eleito melhor padeiro das Américas pela Confederação Interamericana da Indústria do Pão (Cipan).

Capixaba João Carlos Butske foi eleito melhor padeiro do mundo — Foto: Dovulgação Sindipães ES

Capixaba João Carlos Butske foi eleito melhor padeiro do mundo

A receita

A criação que levou o capixaba ao título surgiu em 2025, quando ele precisava apresentar um produto com identidade local para uma premiação.

O preparo é feito em etapas. Primeiro, o pão: rústico, de fermentação natural, com processo que leva até 72 horas. Depois, a torta capixaba: preparada separadamente. Só então os dois se encontram.

“Eu preparo o pão e a torta separadamente. Depois que o pão está assado, a gente abre e coloca o recheio dentro”, explicou o profissional.

Depois de recheado, o pão volta ao forno para finalizar. O formato também é pensado para reforçar a ideia original. “A ideia é que o pão lembre uma panela de barro“, disse.

Segundo o padeiro, a proposta não é substituir a forma tradicional de preparo.

“A intenção não é tirar o encanto da panela de barro, mas mostrar que é possível levar a torta capixaba para a panificação, com criatividade e inovação”, afirmou.

João Carlos Butske mostra o pão de torta capixaba, feito no Espírito Santo — Foto: João Carlos Butske/ Arquivo Pessoal

João Carlos Butske mostra o pão de torta capixaba, feito no Espírito Santo

De entregador de pão a 4º melhor do mundo

A história de João na panificação começou em 1999. Ainda jovem, ele precisou escolher entre trabalhar em uma cerâmica ou em uma padaria.

“Na época, pensei que o trabalho na padaria seria menos pesado, e foi assim que tudo começou”, relembrou.

O primeiro trabalho foi simples: entregava pão de bicicleta, limpava o espaço e ajudava na rotina da produção. Com o tempo, foi aprendendo o ofício.

“No início, não era o que eu queria, mas com o tempo fui me identificando e acabei me apaixonando pela profissão”, contou.

Mesmo com dificuldades financeiras, decidiu investir nos estudos. Chegou a comprometer praticamente todo o salário com a faculdade de Administração e, muitas vezes, fazia o trajeto a pé.

“Meu salário na época era de 270 reais e pagava 267 reais de mensalidade, mas eu não enxergava outra oportunidade de crescimento se não fosse estudando. Muitas vezes eu saía da padaria e ia para faculdade caminhando, pois não tinha dinheiro para pagar o ônibus, e, algumas vezes quando acabava a aula voltava direto pra padaria par trabalhar”, lembrou.

Hoje, é sócio e gerente de produção da padaria onde começou e acumula prêmios, cursos e participação em eventos do setor. Em 2025, foi eleito o melhor padeiro das Américas e o 4º melhor padeiro do mundo.

João Carlos Butske, natural do Espírito Santo, foi eleito o melhor padeiro das Américas e o 4º melhor do mundo — Foto: Divulgação/ Sebrae-ES

João Carlos Butske, natural do Espírito Santo, foi eleito o melhor padeiro das Américas e o 4º melhor do mundo

Três dias para fazer um pão

O pão usado na receita segue o processo de fermentação natural, técnica que exige tempo e precisão.

Ele começa a preparar a massa na quarta-feira, modela na quinta e assa na sexta, dia em que também realiza um festival de pães. “É um processo que exige paciência. Tem que gostar do que faz”, afirmou.

Tradição dentro do pão

Além do pão com torta capixaba, João também desenvolve outros produtos inspirados em elementos locais, como o café, buscando valorizar referências do estado dentro da panificação.

A proposta, segundo ele, é mostrar que tradição e criatividade podem caminhar juntas. Um outro exemplo é o pão “Rosa das Montanhas”, que é aromatizado com café e laranja.

“É um pão que mistura as farinhas branca, integral, de centeio e de malte. Ele é aromatizado com suco de laranja, café e mel. Gosto muito de valorizar o nosso estado e o Rosa das Montanhas remete aos produtores de café. É um pão saboroso, aromatizado e com um cítrico que dá o toque especial”, explicou.

Pão demora 72 horas para ficar pronto e é assado na pedra — Foto: João Carlos Butske/ Arquivo Pessoal

Pão demora 72 horas para ficar pronto e é assado na pedra

Deu curiosidade? Aprenda a receita da torta capixaba

Antes de mais nada, uma dica: o pão usado na receita pode ser comprado pronto em padarias. O ideal é escolher um pão redondo, com casca firme, que consiga sustentar bem o recheio, como os rústicos ou tipo italiano.

Recheio

  • 100 ml de azeite
  • 2 colheres de colorau
  • 35 gramas de alho
  • 160 gramas de cebola
  • 300 gramas de camarão
  • 500 gramas de bacalhau desfiado e dessalgado
  • 300 gramas de siri desfiado
  • 300 gramas de palmito
  • Azeitona picada a gosto
  • 1 tomate picado
  • Um maço de cebolinha verde picada
  • Um maço de coentro picado
  • 2 claras e uma gema em neve

Modo de preparo do recheio

Em uma panela, coloque 50 ml de azeite com o colorau e leve ao fogo até aquecer. Refogue o alho e a cebola até dourar. Se necessário, acrescente mais azeite ao longo do preparo.

Adicione o camarão e refogue. Em seguida, coloque o siri desfiado, misture bem e deixe cozinhar por cerca de 5 minutos.

Acrescente mais 50 ml de azeite e o bacalhau desfiado. Misture e adicione a azeitona e o tomate. Após alguns minutos, coloque o palmito, metade da cebolinha e do coentro. Deixe cozinhar por mais alguns minutos.

Finalize com o restante da cebolinha e do coentro, misture bem e desligue o fogo.

Montagem do pão de torta capixaba

Com o pão já comprado, corte uma “tampa” na parte superior e retire o miolo com cuidado, formando uma cavidade.

Preencha o pão com o recheio ainda quente. Cubra com as claras em neve e finalize com rodelas de cebola e azeitonas para decorar.

Leve ao forno até dourar a superfície. Depois, é só servir.

Pão "Rosa das Montanhas" criação do chef padeiro, João Carlos Butske, no Espírito Santo — Foto: João Carlos Butske/ Arquivo Pessoal

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