O bolso sentiu, e a xícara também. A alta no preço do café nos últimos anos acabou impactando o consumo do produto no Brasil em 2025. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), os brasileiros consumiram 21,409 milhões de sacas de 60 quilos entre novembro de 2024 e outubro de 2025. O volume representa uma queda de 2,31% em relação ao período anterior, quando o consumo chegou a 21,916 milhões de sacas.
Entre as empresas associadas à Abic, o recuo foi ainda um pouco maior. O consumo interno caiu 2,48%, passando de 14,941 milhões para 14,571 milhões de sacas no mesmo intervalo analisado.
O impacto também aparece no consumo per capita. O brasileiro passou a consumir menos café torrado e moído: a média anual por habitante caiu 3,88%, saindo de 5,01 kg para 4,82 kg. Ainda assim, o faturamento da indústria seguiu em alta. Em 2025, o setor movimentou R$ 46,24 bilhões, um crescimento de 25,6% em comparação com 2024 – resultado diretamente ligado ao aumento dos preços nas prateleiras, segundo a Abic.
Quando se olha para os diferentes tipos de café, o comportamento dos preços varia. Os cafés especiais ficaram 4,3% mais caros entre janeiro e dezembro de 2025, enquanto os gourmets registraram alta expressiva de 20,1%. Já os cafés da categoria superior tiveram queda de 3,5% nos preços. Os tradicionais e extrafortes subiram 5,8%, ao passo que os cafés em cápsula ficaram 16,8% mais baratos no período.
Nos últimos cinco anos, o aumento dos custos começa ainda na lavoura. A cotação da matéria-prima disparou: alta de 201% para o café conilon e de 212% para o arábica. No varejo, o repasse foi menor, mas ainda significativo, com aumento acumulado de 116%. Só no último ano, o preço do café torrado e moído subiu 5,8% para o consumidor – movimento que destoou da cesta básica, que registrou queda média de 4,8% no mesmo período.
Para o presidente da Abic, Pavel Cardoso, o cenário atual é reflexo direto de problemas enfrentados ao longo dos últimos anos, especialmente relacionados ao clima e aos baixos estoques globais.

“Desde 2021 houve um descasamento nessa cadeia global de oferta e demanda. Tivemos problemas climáticos sucessivos, que frustraram o tamanho das safras”, explicou.
Mesmo com a redução no consumo, Pavel avalia o resultado de forma positiva. Segundo ele, o café mostrou resiliência diante de um cenário de preços elevados.
“Tivemos uma escalada muito forte no preço da matéria-prima desde 2021 e, ainda assim, o consumo brasileiro se manteve firme por vários anos. Isso demonstra, de forma inequívoca, o quanto o café é resiliente para o brasileiro. O brasileiro não abre mão do café”, destacou.
Na avaliação do presidente da Abic, a queda de 2,31% deve ser analisada dentro de um contexto mais amplo. “Mesmo com essa leve redução, tratamos o resultado como positivo, considerando o histórico dos últimos cinco anos, com aumentos impressionantes, acima de 200% para a matéria-prima e mais de 116% no preço ao consumidor”, concluiu.
