Os golpes digitais no Brasil atingem patamares inéditos. No novo episódio para os humanos por trás das máquinas, Helton Simões Gomes e Diogo Cortiz contam que, todos os dias, circulam no Brasil cerca de 1,5 milhão de links fraudulentos. Parte deles mira quem busca informações sobre programas públicos, como Bolsa Família, seguro-desemprego, licença-maternidade, abono salarial e até a declaração de IR.
Em entrevista, Nina Santos, secretária-adjunta de políticas digitais da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, conta que o problema tem sido tratado pelo governo Lula como uma verdadeira “epidemia” de fraudes online…
A gente tem visto uma epidemia de fraudes na internet. E, inclusive, fraudes sendo disseminadas através de publicidade. Nessa ânsia de atingir mais pessoas e gerar mais lucro, os fraudadores usam publicidade digital para fazer com que elas cheguem mais longe
Nina Santos
Para a secretária-adjunta, a onda é alimentada pela lógica das plataformas digitais, que lucram ao veicular anúncios, incluindo os de links fraudulentos. Aproveitando a brecha, os fraudadores pagam por anúncios para ampliar o alcance das iscas digitais.
Os esquemas ficam ainda mais sofisticados ao envolverem deepfakes de autoridades públicas e o roubo de dados pessoais. “Muitas vezes os golpes são usados também para capturar dados de telefone, e-mail ou CPF, que depois podem servir para outros tipos de fraudes”, alerta Nina.
Segundo a firma de segurança cibernética Kaspersky, link falso é a maior fonte de ataque virtual no Brasil. Segundo dados compilados pela empresa, em 12 meses foram identificados 553 milhões de links fraudulentos, o equivalente a 1,5 milhão por dia.
O governo federal aposta em campanhas de orientação para enfrentar os golpes, ações judiciais contra as plataformas e parcerias. Uma das medidas resultou em um acordo com o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) com o objetivo de denunciar as propagandas falsas e mapear quais são os programas mais afetados pelas fraudes.
A Advocacia-Geral da União também tomou providências. Entrou com uma ação civil pública contra a Meta, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp. No documento, a AGU acusa a big teh de agir de má-fé ao aceitar anúncios claramente enganosos e não aplicar no Brasil os mesmos mecanismos de detecção de fraude já usados em outros países. A crítica é direta: a checagem feita pelas plataformas é ineficiente, e a prioridade, no fim, é o lucro…
Google liga o Modo AI no Brasil e muda a vida de quem depende da busca online…
O Google já percebeu que os hábitos de busca mudaram com a chegada dos chatbots, e a resposta foi criar o Modo IA, que acabou de desembarcar no Brasil.
Diferente do IA Overview, a nova ferramenta funciona como uma conversa direta: você faz a pergunta, ela varre a web e entrega um resumo pronto em forma de chat. A promessa é encurtar o caminho da pesquisa, mas, na prática, isso muda toda a lógica da internet. Se antes os links levavam o leitor até o produtor de conteúdo, agora a informação aparece mastigada pelo próprio Google, sem que o clique aconteça.
Ainda que o cenário seja de terra arrasada para diversos produtores de conteúdo, o Google fala em tráfego “estável”, mas não indica para onde esses cliques estão indo.
