A patente da semaglutida, princípio ativo de medicamentos como Ozempic e Wegovy, expira no Brasil nesta sexta-feira (20/3), abrindo espaço para a produção de similares e possível redução de preços no futuro. Ozempic é usado no tratamento de diabetes tipo 2 e Wegovy no tratamento de obesidade.
O que muda com a queda da patente?
Exclusividade de produção da molécula chega ao fim. Com a queda da patente, outras empresas nacionais e estrangeiras vão poder fabricar medicamentos com a semaglutida…
Mercado terá mais opções de marcas disponíveis. Essa concorrência tende a baratear o custo do remédio ao longo do tempo, embora a chegada das alternativas não seja imediata…
Farmacêutica Novo Nordisk detinha a exclusividade há 20 anos. Em nota, a empresa afirmou que “o encerramento de uma patente é etapa natural no ciclo de vida de qualquer inovação” e que “está preparada para atuar com solidez neste novo contexto”.
Por que o efeito não é imediato?
Novos remédios ainda passam por análise da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A agência avalia a segurança e a eficácia antes de liberar a venda pelas novas empresas.
Autarquia possui dois pedidos de registro em análise e 15 na fila. A expectativa de especialistas é que o órgão acelere as autorizações sem perder o rigor técnico…
Liberação deve ocorrer ainda neste semestre. “O mais provável é que isso ocorra ainda no primeiro semestre, mas não nos primeiros dias após a queda da patente”, diz Neuton Dornelas, presidente da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).
Quatro farmacêuticas já aguardam a autorização comercial. Empresas como EMS, Hypera Pharma, Cimed e Biomm estão na disputa para lançar suas versões…
Atualmente, o Brasil possui apenas cinco remédios registrados com a substância. Rybelsus, Wegovy, Poviztra, Extensior e Ozempic pertencem todos ao laboratório Novo Nordisk.
Quão mais barato vai ficar?
Descontos obrigatórios devem girar em torno de 20%. Rodrigo Lamounier, diretor da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica), avalia que os novos produtos serão similares ou biossimilares.
Categoria difere dos medicamentos genéricos. Enquanto os genéricos oferecem desconto mínimo de 35% e não possuem nome comercial, os similares usam o princípio ativo sob uma marca própria. Eles são as “cópias” das medicações biológicas de referência, que foram as primeiras do mercado. O nome não é à toa: os medicamentos não são idênticos aos de referência —e isso não é um problema.
Os novos medicamentos terão o mesmo efeito?
Eficácia terapêutica será equivalente à do produto original. “A expectativa é que, uma vez que sejam aprovados pela Anvisa, os novos medicamentos com semaglutida ofereçam um benefício terapêutico equivalente ao original”, afirma Lamounier…
Receita para adquirir o medicamento continua obrigatória?
Exigência de prescrição médica permanece inalterada. A chegada de opções mais baratas não elimina a necessidade de indicação profissional.
Uso seguro depende de acompanhamento especializado. “Vale reforçar que, mesmo com produtos mais baratos no mercado, o uso desse tipo de medicamento deve ser feito apenas com prescrição e orientação médica”, diz o diretor da Abeso.
Uso Ozempic ou Wegovy, mas gostaria de substituir por outro similar. Posso fazer isso?
Troca de medicação é permitida, mas exige avaliação médica. O paciente deve tomar essa decisão junto ao profissional responsável pelo seu tratamento.
Médico orientará a substituição de forma segura. O objetivo é garantir que a transição ocorra sem causar riscos à saúde do usuário…
Queda da patente muda algo para quem trata diabetes tipo 2 ou obesidade?
Tratamento para pessoas com diabetes ou obesidade continua o mesmo. A mudança no mercado não altera a forma como o paciente deve ser acompanhado.
Decisão sobre a troca do remédio por um similar cabe ao médico e ao paciente. “A eventual troca do medicamento por uma versão similar deverá obedecer o critério da autonomia médica e de sua relação com o paciente”, completa Dornelas…
