Sem relação direta com o Banco Master, o Banestes foi convocado junto a outras instituições financeiras a recompor o caixa do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), diante de um rombo estimado entre R$ 42 bilhões e R$ 50 bilhões gerado pela crise do banco de Daniel Vorcaro.
A ação conjunta vai antecipar R$ 32,5 bilhões, o equivalente a cinco anos de contribuições.
Apesar de contar com reservas de R$ 122 bilhões antes da crise – compostas por contribuições de bancos – o FGC teve cerca de 40% de seu caixa consumido nos pagamentos aos investidores afetados.
Com a liquidação do Master e sete instituições ligadas ao banco, investidores em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) estão sendo ressarcidos em até R$ 250 mil pelo FGC.
No caso do Banestes, a instituição capixaba precisou antecipar R$ 120 milhões em contribuições. “Essa situação é ruim para o mercado. Já impactou o FGC, e os bancos terão de fazer aportes para cobrir esse rombo, mas o Banestes está preparado para esse tipo de situação”, afirmou o presidente do banco, Amarildo Casagrande.
O executivo enfatizou que o valor não representa penalidade nem ressarcimento do Banestes ou dos demais bancos, mas uma ação coordenada do setor para restaurar a capacidade do fundo, que tem como objetivo garantir mais confiabilidade para investidores. “Não temos nenhuma relação com o Master”, reforçou.
Já o diretor de Relações com Investidores, Silvio Grillo, alertou para possíveis efeitos indiretos sobre os clientes de todo o sistema financeiro do país. “Os bancos vão repassar essa conta. A remuneração do CDB pode cair ou o custo do crédito pode subir, via spread, para compensar essa antecipação”, disse.
