História faz parte de série de reportagens sobre música sertaneja que marca lançamento do concurso cultural ‘ÉPra Cantar’, da EPTV.
Ter que comprar um ingresso para cantar no próprio show. Foi o que aconteceu com Edson, da dupla com Hudson, em uma apresentação em Itirapina (SP), no início dos anos 2000.
Na época, antes do sucesso do hit “Azul”, o cantor foi barrado na entrada do evento e, sem ser reconhecido pelo segurança, precisou pagar R$ 10 para subir ao palco.
🤠 A história faz parte de uma série de reportagens sobre música sertaneja exibidas no EPTV 1 a partir desta sexta-feira (24), marcando lançamento do concurso cultural “ÉPra Cantar”. Nesta edição, o vencedor vai se apresentar na Festa de Peão de Barretos, o maior rodeio da América Latina.
‘Quase não consegui entrar’
Edson chegou ao local em uma caravana que não estava muito bem conservada. “Ela estava muito podre”, conta, aos risos. O músico procurou o responsável por liberar o acesso ao palco, se apresentou e pediu para entrar. A resposta foi curta e grossa: “A ordem é não liberar ninguém”.
Ele tentou argumentar, mas sem sucesso. “Eu ainda falei: ‘Mas eu sou o Edson’. Ele respondeu: ‘Que Edson?’. ‘Da dupla Edson e Hudson’. Ele falou: ‘Que Hudson?’. Aí ferrou”, lembra. A solução foi ir até a bilheteria do evento para comprar a entrada para seu próprio show.
“Vi minha foto com o Hudson no ingresso, na época era tudo impresso. Paguei R$ 10. Quase que não consegui entrar na festa, tive que contar moeda”.
Dentro da festa, Edson conseguiu sinalizar para uma das funcionárias da equipe. Ela estava no palco e se espantou com o músico deslocado. O artista explicou rapidamente que não tinham liberado o acesso e subiu para o camarim por meio dos bretes.
“Provavelmente eu seja um dos primeiros a ter pago para assistir meu próprio show. Foi bão, rapaz”, diz o cantor.
Hudson também dedurou o parceiro. “Depois tiveram que ressarcir os ‘dezão’ dele, porque ele cobrou depois”, lembra o guitarrista. O cachê, na época, era pequeno, assim como a plateia.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/Q/k/RzQNs3TsW9A0XB5ziWOQ/vlcsnap-2026-04-23-15h21m45s655.png)
Dupla sertaneja Edson e Hudson
Plateia inusitada
Antes do sucesso, era comum os dois fazerem shows para plateias minúsculas e inusitadas, como em uma apresentação em Cambuí (MG). Era uma noite gelada e havia apenas duas pessoas na arquibancada. Com a arena vazia, o organizador soltou o gado que estava preso.
“Aí a gente cantou umas três músicas e o Edson começou: ‘Queria mandar um abraço pra aquele chifrudo ali, queria mandar um abraço pra aquela vaca ali também.’ Mas era de verdade, não estava xingando ninguém não”, lembra Hudson.
O bom humor da dupla foi fundamental para superar os perrengues e as frustrações. Também foi ali, naquele show para os bois, que Hudson falou algo para o irmão que mudou a mentalidade da dupla. Ele disse que, como estavam sem plateia, era melhor encarar aquilo como um ensaio.
“Quando eu falava ‘hoje é ensaio’ é porque não tinha ninguém”, lembra Hudson, rindo.
‘Apoiar depois é carona’
O que hoje é uma história engraçada, na época era motivo de dúvidas. Edson lembra como a ansiedade o corroía a cada vez que via a plateia vazia. “Eu falava: ‘Caramba, ninguém gosta de nós? Tá feia a coisa mesmo, hein’”, lembra. “Eu não entendia que tinha que ter uma história, um sucesso”.
Neste ano, a dupla celebra 30 anos de carreira repleta de discos, CDs, lançamentos e mídias sociais com uma turnê comemorativa. O primeiro álbum foi em 1995, após a dupla ser caloura do programa Raul Gil, o que ajudou a impulsionar um pouco a carreira. Mas até mesmo essa conquista foi fruto de muitos anos de estrada.
Nascidos Huelinton Cardoni Silva, o Edson, 51 anos, e Udson Cardoni Silva, o Hudson, 53, começaram a trajetória ainda na infância. Filhos do palhaço Beijinho, os irmãos cresceram em uma família circense e se apresentavam com o pseudônimo Pepa e Pubi.
“Nós demoramos 22 anos para chegar ao sucesso. Dos 5 e 7 anos até os 27 e 29 anos, que foi o nosso primeiro sucesso, ‘Azul’”, afirma Edson.
O pai era o principal incentivador, mas também um dos poucos. A dupla conta que teve um início difícil e foi preciso muita resiliência para continuar fazendo música. A maioria das pessoas que cruzaram o caminho dos irmãos não acreditava neles.
Hoje, a dupla faz diferente e busca incentivar novos talentos em iniciativas como o concurso “ÉPra Cantar”. Os músicos acreditam que existem muitos artistas até então desconhecidos que, em breve, vão estourar no Brasil.
“Por isso que eu falo: apoie o artista antes dele fazer sucesso. Apoiar depois não é apoio, é carona”, afirma Hudson.
