COMBUSTÍVEIS

Combustível no Brasil vai baratear ou gasolina a R$ 7 veio para ficar?

Quando a pandemia travou a produção global, faltaram peças, os carros ficaram mais caros e nunca mais voltaram ao preço de antes de 2020. Para se ter uma ideia, de acordo com dados da Bright Consulting, em 2019, o preço público médio dos carros vendidos nos país estava na faixa de R$ 117.171, enquanto em 2021 pulou para R$ 149.186. Atualmente, está em R$ 168.273.

Agora, um novo temor começa a circular entre consumidores: será que o combustível está entrando no mesmo caminho? Com o petróleo pressionado pela guerra no Oriente Médio, o diesel disparando mais de 13% em março e a gasolina se aproximando dos R$ 7 em várias regiões, a dúvida paira sobre o brasileiro: esse é um pico momentâneo ou o novo normal?

Mercado reage rápido
Para o economista-chefe da XP, Caio Megale, o comportamento do petróleo em momentos de guerra tende a ser mais volátil do que permanente. “A questão é que não tem data. Está todo mundo esperando os desdobramentos, inclusive políticos. O mercado reage muito rápido: dá um sinal e o preço sobe, depois volta”, afirma…

Segundo ele, parte desse movimento é especulativo, mas baseado em um risco real, o de redução na oferta global. “É uma especulação baseada no fato de guerra, de menor distribuição. Mas eu acho que isso vai se resolver. Todas as guerras se resolvem, mais cedo ou mais tarde.”

O que está por trás da alta
A explicação para essa reação rápida está menos na falta de petróleo e mais no risco de interrupção do fluxo global.

“Quando a tensão no Irã cresce, o mercado reage principalmente por medo de ruptura na oferta e na logística internacional, sobretudo no Estreito de Ormuz, que é um dos pontos mais sensíveis do comércio global de petróleo”, afirma o advogado tributarista Bruno Medeiros Durão.

Dados recentes ajudam a dimensionar o choque. O tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial, chegou a cair mais de 90% após o início da guerra. Em alguns dias, o número de navios cruzando a região despencou de mais de 30 para praticamente zero. Ao longo de março inteiro, menos de 100 embarcações fizeram o trajeto.

Esse comportamento ajuda a explicar por que o barril sobe rápido, mas também por que pode recuar com a mesma velocidade caso o cenário se estabilize…

Filtro para o consumidor
Se lá fora o mercado reage rápido, no Brasil o efeito costuma ser mais lento e mais duradouro.”O mercado internacional pressiona rápido. Já o preço final ao consumidor costuma reagir com mais filtro”, explica Durão.

Na prática, isso significa que o consumidor não sente imediatamente a alta, mas também não necessariamente se beneficia na mesma velocidade quando há queda. E há um agravante: o diesel. Em março, o combustível subiu mais de 13% nos postos brasileiros, segundo a Edenred Mobilidade, puxando custos de transporte e pressionando a inflação.

Para o economista Igor Lucena, o impacto vai muito além do abastecimento. “Se você tem diesel e gasolina muito altos, isso vai ser totalmente ultrapassado nos preços de tudo na economia brasileira”, afirma. “A população brasileira é muito sensível a preços de alimentos e itens básicos.”

Segundo ele, o aumento dos combustíveis se espalha rapidamente pela economia, especialmente em um país dependente do transporte rodoviário. “Infelizmente, nós pagamos por não termos um modal ferroviário mais forte.”

Alívio forçado na inflação
Como forma de reduzir a inflação causada pela alta do diesel, o governo propôs uma subvenção, articulada pelo Ministério da Fazenda. Consiste em um subsídio de R$ 1,20 por litro de diesel importado, dividido igualmente entre União e estados para conter a volatilidade de preços…

Até o momento, 22 estados e o distrito federal aderiram à medida, enquanto Rondônia permanece como o único a recusar oficialmente. Estão pendentes as posições definitivas do Rio de Janeiro, Pará e Roraima, que ainda avaliam o impacto fiscal para confirmar a participação.

O histórico mostra que choques como guerras costumam gerar picos seguidos por acomodação. Mas também mostra que, uma vez que o preço sobe e se espalha pela economia, ele dificilmente volta exatamente ao ponto anterior.

Para os especialista, com combustíveis, o cenário deve seguir esse meio-termo: o petróleo pode cair com o fim da crise, mas os preços internos não necessariamente retornam ao mesmo nível imediatamente e o diesel continua sendo o principal vetor de pressão…

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