CHOCOLATE

Preço do cacau desaba, mas chocolate chega 25% mais caro na Páscoa;

A recente desvalorização do cacau no mercado internacional não se reflete no valor do chocolate na Páscoa deste ano. O preço mais alto do produto é justificado pelo repasse defasado da alta da matéria-prima até os consumidores.

O que aconteceu
Preço dos chocolates subiu 24,9% desde a última Páscoa. A alta foi apurada pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15) entre abril de 2025 e março de 2026. Somente nos três primeiros meses deste ano, a variação apurada pelo indicador do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) alcança 4,44%…

Variação vai na contramão da cotação internacional do cacau. Desde a última Páscoa, o valor dos contratos futuros da matéria-prima para fabricação dos chocolates recuou 64%, de US$ 8.701 para US$ 3.133 por tonelada até o pregão de quarta-feira (25). Anna Paula Losi, presidente-executiva da AIPC (Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau), afirma que a variação reflete a normalização da oferta do fruto…

Cacau passou a cair após fim dos problemas nos países produtores. As condições climáticas adversas na África Ocidental, região responsável por 70% do cultivo mundial do fruto, e a infestação do fungo Vascular Streak Dieback nas plantações da Costa do Marfim e Gana restringiram a oferta em 2024. Como consequência, o preço do cacau atingiu o recorde de US$ 12.646 por tonelada.

Nas últimas décadas, a média de preço do cacau girava em torno de, no máximo, US$ 3.000 a tonelada e, em 2024, começamos a ver valores muito superiores.
Anna Paula Losi

Cadeia produtiva justifica atraso nos repasses ao consumidor. Até chegar às gôndolas, os derivados do cacau passam por um ciclo defasado. Jorge Ferreira, professor de administração da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), explica que o movimento reflete um repasse do “choque de custos”, com os contratos firmados quando o custo da matéria-prima era mais elevado. “O aumento do cacau nos últimos anos entrou na estrutura de custos da indústria com atraso”, afirma Ferreira.

Valor final do chocolate também depende de outros fatores. As cotações de matérias-primas e os custos operacionais também interferem na alta apurada pelo IPCA. “Há uma cadeia mais ampla de custos envolvidos, incluindo produção, logística, industrialização e dinâmica de demanda”, diz Fernando Sette Júnior, professor do curso de gestão e negócios do UniBH (Centro Universitário de Belo Horizonte). “O produto final é composto por uma cadeia de produtos que envolve leite, açúcar, embalagem, energia e frete”, reforça Ferreira.

Mais opções
Indústria aumenta produção, mesmo com alta dos preços. A Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas) relata que o volume de ovos fabricados para a Páscoa deste ano passou de 45 milhões para 46 milhões de unidades. “Nossa expectativa é bastante positiva, porque a Páscoa é sempre nossa principal ocasião de consumo”, afirma Jaime Recena, presidente-executivo da associação…

A indústria de chocolates apresentou resultados bastante positivos, com crescimento na produção, no número de itens colocados no mercado e na geração de empregos temporários.
Jaime Recena

Novidades também ganham mais espaço nas lojas. As atualizações da Abicab mostram que, dos 800 ovos produzidos para a Páscoa deste ano, 134 são lançamentos no mercado. “Nossa indústria investe muito em tecnologia e inovação e o período de Páscoa permite apresentar coisas novas em novos formatos”, diz Recena.

Maior diversidade amplia acesso aos ovos de chocolate. A disponibilidade de novos itens permite que os produtos atendam à preferência de todos os consumidores, independentemente da inflação. “A indústria trabalha sempre para ter um portfólio amplo, com produtos de entrada, que têm um preço mais acessível, e opções premium”, destaca Recena. “O preço não impede o consumo, embora altere a forma como ele acontece”, complementa Sette.

Chocolate vai ficar mais barato?
Próximo ciclo produtivo contribui para arrefecimento dos preços. Losi relata que as oscilações do cacau no cenário internacional levam ao menos seis meses para chegar aos consumidores. “Do mesmo jeito que lá atrás, quando subiu no início de 2024, não vimos um reflexo imediato [nos preços], essa queda atual também vai demorar para refletir no mercado final”, afirma Losi…

As indústrias têm um estoque de produtos fabricados com amêndoas mais caras, que precisam ser comercializados, para que depois que os produzidos com um cacau mais barato comecem a entrar na indústria chocolateira.
Anna Paula Losi

Limitação da importação do cacau ameaça perspectiva de queda. O Ministério da Agricultura suspendeu temporariamente os desembarques de cacau da Costa do Marfim, maior produtor mundial da amêndoa. A restrição não é bem recebida pelo setor, que alerta para a dependência da indústria nacional do cacau importado. “Se eu tenho que reduzir as minhas linhas de produção, o meu custo operacional aumenta, ainda que a matéria-prima esteja mais barata. Isso reflete no preço do produto final”, prevê a presidente-executiva da AIPC.

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