Não é só a quantidade de café que importa, o modo de preparo pode mudar o impacto da bebida no seu coração. O motivo atende pelo nome de cafestol, uma substância gordurosa naturalmente presente nos grãos de café.
Quando o café é preparado sem filtro, como no expresso, na prensa francesa, no café turco ou em métodos tradicionais do Mediterrâneo e do Oriente Médio, o cafestol permanece na xícara. E a ciência já mostrou que ele tem potencial de elevar o LDL, o chamado colesterol “ruim”. A longo prazo, esse tipo de colesterol pode favorecer a formação de placas nas artérias, processo associado a maior risco de infarto e AVC.
A concentração varia bastante conforme o método de preparo. Café na prensa francesa e café turco estão entre os campeões em teor de cafestol, justamente por não passarem por filtragem…
Já no café coado, sobretudo quando se usa filtro de papel, boa parte da substância fica retida, o que reduz seu impacto no organismo.
Existe limite seguro?
Os efeitos maléficos do cafestol dependem tanto da quantidade ingerida quanto do histórico de saúde da pessoa. Cafés tradicionais do Mediterrâneo e do Oriente Médio podem ter de quatro a cinco vezes mais cafestol por xícara do que o expresso…
Em termos práticos, recomenda-se moderação: até quatro expressos por dia costumam ser considerados um limite razoável para a maioria das pessoas. Já no caso dos cafés mais concentrados em cafestol, o ideal seria não ultrapassar duas xícaras diárias.
Então é preciso cortar o café?
Calma. O café não virou vilão. Pelo contrário, o grão é rico em compostos antioxidantes, vitaminas e minerais associados a benefícios metabólicos e até à prevenção de algumas doenças crônicas…
A exclusão da bebida só costuma ser indicada em situações específicas, como na hipercolesterolemia familiar — condição genética caracterizada por níveis elevados de colesterol desde cedo. Nesses casos, reduzir o consumo, especialmente de cafés não filtrados, pode fazer parte da estratégia de controle…
