CIGARRO ELETRÔNICO

Cigarro eletrônico: o que ele pode causar na laringe e na voz

O uso de vape pode aumentar o risco de inflamações e câncer de laringe. Veja o que dizem os estudos;

Durante muitos anos, o cigarro tradicional foi apontado, com toda razão, como um dos grandes vilões da saúde da garganta, da voz e da respiração. Nos últimos tempos, porém, surgiu um novo personagem nessa história: o vape, também chamado de cigarro eletrônico.

Vendido com cara de tecnologia moderna, sabores agradáveis e a falsa ideia de ser menos prejudicial, ele acabou conquistando, principalmente jovens e adultos jovens. A pergunta que cada vez mais aparece no consultório é direta: fumar vape pode causar câncer de laringe?

Já está bem claro na literatura científica que sim, pode aumentar o risco.

Vape e câncer de laringe

laringe é uma estrutura localizada no pescoço, responsável por três funções vitais: respiração, proteção das vias aéreas e produção da voz. Nessa região estão localizadas as pregas vocais. Qualquer agressão repetida nessa região, seja química, térmica ou inflamatória, pode gerar lesões ao longo do tempo.

A laringe é revestida por uma mucosa delicada, concebida para lidar com ar, não com fumaça, vapor ou substâncias químicas aquecidas. Quando isso acontece repetidamente, o tecido reage com inflamação crônica, dando origem ao problema.

O aerossol do vape não é vapor inofensivo. Ele contém uma mistura de substâncias como:

  • Nicotina, em muitos casos, em altas concentrações;
  • Propilenoglicol e glicerina vegetal;
  • Compostos orgânicos voláteis;
  • Metais pesados, como níquel, chumbo e cromo;
  • Substâncias potencialmente cancerígenas, como formaldeído e acroleína.

Tudo isso passa diretamente pela boca, garganta e laringe, várias vezes ao dia. A nicotina e o câncer tem uma relação antiga e conhecida, mas o vape traz um problema novo.

A nicotina sozinha não causa câncer

A nicotina, por si só, não causa câncer, mas ela cria o ambiente perfeito para ele surgir. Ela aumenta a inflamação, prejudica a cicatrização celular e favorece mutações no DNA. Além disso, mantém o hábito e a exposição contínua às outras substâncias tóxicas do vape.

No caso da laringe, essa agressão constante pode levar a alterações chamadas de lesões pré-malignas, como leucoplasias, displasias e inflamações crônicas persistentes. Algumas delas podem evoluir para câncer ao longo dos anos.

É verdade que o vape é mais recente que o cigarro tradicional. O problema é que os primeiros sinais já são preocupantes. Estudos laboratoriais mostram que células expostas ao aerossol do vape sofrem estresse oxidativo, inflamação e alterações genéticas semelhantes às causadas pelo cigarro comum.

Na prática clínica, isso também começa a aparecer. Já vemos pacientes jovens, sem histórico de cigarro tradicional, com rouquidão persistente, inflamação crônica da laringe e lesões que antes eram raras nessa faixa etária. Muitos deles têm algo em comum: uso diário de vape.

Afinal, o vape pode causar câncer de laringe mesmo sem cigarro comum? Pode. Especialmente quando o uso é frequente, prolongado e iniciado cedo. Quanto mais tempo a mucosa da laringe é exposta a substâncias tóxicas, maior o risco. O fato de não haver combustão não significa ausência de dano.

É como trocar um incêndio por uma chapa elétrica muito quente encostada no mesmo lugar todos os dias. O tipo de agressão muda, mas a lesão continua acontecendo.

Sinais que indicam problema na laringe

Um dos primeiros sinais de problema na laringe é a rouquidão persistente, aquela que dura mais de duas ou três semanas.

Outros sinais de alerta incluem:

  • Dor ou ardor ao engolir;
  • Sensação de algo preso na garganta;
  • Tosse seca frequente;
  • Pigarro constante;
  • Falhas na voz.

Esses sintomas não significam câncer automaticamente, mas exigem avaliação médica otorrinolaringológica, especialmente em quem usa vape.

Parar faz a diferença

Do ponto de vista do otorrinolaringologista, o que vemos é um novo padrão de agressão às vias aéreas superiores, com efeitos que ainda estão sendo totalmente compreendidos, mas que já levantam bandeiras vermelhas.

A boa notícia é que parar faz diferença. A laringe tem uma capacidade impressionante de recuperação, principalmente quando a agressão é interrompida cedo. Parar o uso do vape reduz inflamação, melhora a voz e diminui o risco das lesões evoluírem.

O vape não é inofensivo, não é moderno no sentido positivo e não protege contra câncer de laringe. Pelo contrário: ele expõe a laringe a substâncias tóxicas de forma repetida e silenciosa. Pode até não causar sintomas graves no começo, mas o preço pode aparecer mais tarde.

Se a voz mudou, a garganta vive irritada ou o vape virou hábito diário, vale lembrar que a laringe não pode ser cronicamente agredida. E, quando se trata de câncer, prevenir ainda é o melhor tratamento.

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